Talvez Isto Não Seja uma Despedida
A Cidade Sem Tino fica agora em suspenso – como uma casa onde as caixas estão quase prontas, mas ninguém sabe ainda para que rua vão ser levadas. Não é exatamente um fim, mas também não chega a ser continuidade. É intervalo. E isso, às vezes, pesa mais do que um encerramento com fita preta e discurso.
Houve textos escritos como quem estende roupa ao vento. Ficaram lá, à espera – de leitura, de tempo, de abandono. Houve dias em que parecia que tudo cabia num parágrafo. Noutros, nem com três posts se apanhava o fio. E ficou isso: o hábito de escrever, sem saber bem para quê, mas com o impulso intacto de continuar.
Não sei ainda se isto renasce noutro lugar. Talvez. Talvez noutro formato, noutro tempo. As caixas estão quase prontas. Falta só perceber para onde irão.
Guardo o que importa. Deixo o resto.
E se alguém voltar a encontrar estes textos algures, que os leia como grafitis deixados numa parede que já ninguém sabe bem onde fica.
Talvez isto não seja uma despedida.
Talvez seja só uma vírgula mais demorada
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