O Dono da Gravata
Dizem que a autoridade se impõe pelo olhar, pelo tom de voz, pelo gesto – e pelo irracional. A gravata pode impor-se da mesma forma, estendendo-se além do razoável, numa saudação reverente aos alicerces da própria virilidade. O dono da gravata sabe disso. Basta usá-la. E o efeito é inegável.
Na Sala Oval, o adorno que um exibia contrastava com a dignidade frágil do outro: um homem cercado. Era a gravata que dominava a cena: vibrante, desproporcional. Não apenas um complemento, mas um ícone, uma promessa de grandeza, um aviso silencioso: aqui está um homem cujo carisma se mede até ao último centímetro.
O murro não chegou a ser ensaiado, mas que teria sido prodigioso, isso teria.
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