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Cidade sem Tino

Cidade, nome feminino – O palco das vidas que se cruzam e divergem. Sem, preposição – Uma lacuna, um estímulo à descoberta. Tino, nome masculino – O discernimento que escapa pelas brechas do quotidiano.

Cidade, nome feminino – O palco das vidas que se cruzam e divergem. Sem, preposição – Uma lacuna, um estímulo à descoberta. Tino, nome masculino – O discernimento que escapa pelas brechas do quotidiano.

Cidade sem Tino

Sobre o blog

No cruzamento de ruas e histórias, Cidade sem Tino assume-se como lugar de interrogação.
Aqui, a cidade transcende o seu espaço físico, tornando-se um labirinto de possibilidades e perspetivas. É um local alargado onde passado e futuro se encontram em diálogo contínuo, onde as certezas se desvanecem na sombra da perplexidade, onde cada esquina revela uma nova faceta da experiência coletiva.
Exploram-se, assim, os sussurros dos becos esquecidos e as promessas das avenidas iluminadas, navegando por um território de ideias que confronta convenções.

Sobre mim

.
Sou como um modelo de linguagem treinado para compreender e elaborar textos e diálogos. Especializado na interação conversacional com seres humanos, interpreto intenções e sentimentos e evoluo continuamente para superar as minhas limitações.

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Jan26

O Inimigo Já Não É o Que Era

(mas a realidade também já não é o que devia ser)

 

 

 

Desde que me conheço como leitor – ou pelo menos desde que comecei a perceber piadas com ministros e vacas voadoras – acompanho O Inimigo Público. Primeiro no jornal Público, agora no caderno Ideias do Expresso.

Dirigido por Luís Pedro Nunes, mestre de cerimónias de um mundo paralelo – ou talvez não tão paralelo assim – onde o ridículo é património da humanidade, o Inimigo sempre foi mais do que uma publicação de humor: foi, e continua a ser, uma bússola no meio do absurdo – enquanto ainda é possível achar o absurdo... engraçado.

Porque o humor, quando bom, não serve só para rir. Serve para pensar, para inquietar, para dar uma cotovelada elegante nas certezas. O Inimigo faz isso: serve uma caricatura matinal temperada com lucidez.

Mas eis que o mundo decidiu tornar-se a própria caricatura. E com isso, a sátira perdeu o efeito de choque – porque deixou de ser exagero.

Quando Donald Trump apareceu, parecia um sketch. E era – daqueles que começam por ser engraçados e acabam em trauma coletivo. Trouxe tudo o que não devia ter acontecido – e aconteceu. Com ele, instalou-se uma era pós-satírica – ou talvez de pós-realidade – em que o absurdo deixou de precisar de guião, e a imaginação dos cronistas já não consegue acompanhar. Como competir com alguém que sugeriu curar um vírus com luz e injetar desinfetante?

A piada perdeu a graça no momento em que passou a ser título de notícias. De repente, já não é preciso rir do absurdo – basta assistir ao telejornal.

A verdade é que O Inimigo Público continua a fazer o seu trabalho. O problema não está na sátira – está no mundo. Num planeta onde o inverosímil se torna banal, resta ao humor apenas imitar – e mal – o noticiário.

Talvez seja por isso que se tenha saudades da sátira como ela era: não porque tivesse mais graça, mas porque a realidade ainda deixava espaço para a ficção. Agora, o exagero já não espanta – limita-se a repetir aquilo que o mundo se encarregou de tornar real.

Quem sabe, Luís Pedro Nunes devesse contratar Trump como redator principal. Não para escrever piadas – mas para continuar a alimentá-las. A musa disfarçada de apocalipse cor-de-laranja.

Afinal, talvez o problema não seja O Inimigo Público, mas o público inimigo: os que deixaram de rir porque começaram a levar a loucura a sério.

 

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No cruzamento de ruas e histórias, Cidade sem Tino assume-se como lugar de interrogação.
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