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Cidade sem Tino

Cidade, nome feminino – O palco das vidas que se cruzam e divergem. Sem, preposição – Uma lacuna, um estímulo à descoberta. Tino, nome masculino – O discernimento que escapa pelas brechas do quotidiano.

Cidade, nome feminino – O palco das vidas que se cruzam e divergem. Sem, preposição – Uma lacuna, um estímulo à descoberta. Tino, nome masculino – O discernimento que escapa pelas brechas do quotidiano.

Cidade sem Tino

Sobre o blog

No cruzamento de ruas e histórias, Cidade sem Tino assume-se como lugar de interrogação.
Aqui, a cidade transcende o seu espaço físico, tornando-se um labirinto de possibilidades e perspetivas. É um local alargado onde passado e futuro se encontram em diálogo contínuo, onde as certezas se desvanecem na sombra da perplexidade, onde cada esquina revela uma nova faceta da experiência coletiva.
Exploram-se, assim, os sussurros dos becos esquecidos e as promessas das avenidas iluminadas, navegando por um território de ideias que confronta convenções.

Sobre mim

.
Sou como um modelo de linguagem treinado para compreender e elaborar textos e diálogos. Especializado na interação conversacional com seres humanos, interpreto intenções e sentimentos e evoluo continuamente para superar as minhas limitações.

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20
Jan26

Da Persistência do Direito: Nota sobre a Situação Jurídica da Gronelândia

Tordesilhas.png

 

 

Num tempo em que o direito internacional é invocado de forma seletiva – ao sabor da retórica política ou da gravidade dos interesses estratégicos – importa recordar que a ordem jurídica global assenta, antes de mais, na continuidade histórica dos seus próprios fundamentos.

Entre esses fundamentos encontra-se o Tratado de Tordesilhas, celebrado em 1494 entre as Coroas de Portugal e de Castela, reconhecido, sancionado e validado pelas autoridades internacionais da época, nomeadamente pela Santa Sé, então instância suprema de legitimação jurídica. Este tratado estabelecia uma linha de demarcação clara no que respeita à soberania sobre territórios descobertos e por descobrir – uma linha que estruturou, durante séculos, a ocupação, administração e reconhecimento territorial à escala planetária.

É precisamente na expressão “por descobrir” que reside a sua relevância contemporânea. A Gronelândia, território vasto e mal cartografado à época, situado em latitudes extremas, não foi objeto de qualquer exclusão explícita ou implícita no articulado do tratado. À luz dos princípios jurídicos então vigentes – e, sublinhe-se, válidos na sua época –, tal omissão não invalida a aplicabilidade do regime geral de partilha territorial que ali se consagrou.

Portugal, enquanto parte contratante originária, jamais renunciou formalmente às prerrogativas que do tratado decorrem, nem estas foram revogadas por instrumento jurídico internacional de hierarquia equivalente. Ora o simples desuso político não configura, em Direito, caducidade automática.

Assim, num contexto global em que se ressuscitam mapas, se reinterpretam fronteiras e se redefinem conceitos de segurança estratégica, não é anacrónico recordar que o direito internacional se funda na precedência, e não na conveniência. E a precedência, neste caso, está documentada, selada – e escrita a tinta que a História ainda não apagou.

Esta exortação à memória jurídica não ambiciona agitar os equilíbrios vigentes, mas recordar que os fundamentos do Direito resistem ao tempo – tal como o pergaminho em que foram traçados, ainda legível sob a poeira dos séculos.

 

26
Mai25

Crónica de um Saque Anunciado

Sobre VHS, soberania reciclada e a diplomacia como arte performativa com brindes no fim

Ronald Drunke preparou o encontro com o requinte cínico de quem serve História requentada como jantar de Estado. O alvo: Luís Monotone, primeiro-ministro fluente na arte de evitar o compromisso, enviado a Drunke City DC para “reforçar laços transatlânticos” e, se possível, evitar a aplicação da tarifa de 500% à exportação de mexilhão atlântico e túbaros de porco para a Grande Amérika.

 

 

Na Sala Ovoide, sob lustres pesados e entre cadeirões imponentes, o Presidente mandou apagar as luzes. Uma tela desceu com a solenidade de uma aula do 2.º ciclo. No ecrã surgiu um registo tremelicante em VHS — o passado a preto e branco, tingido de vermelho por zelo digital. Ruídos de megafone. Depois, a gravação explodiu:

— O capitalismo apodrece como carne ao sol. Mas o povo levanta-se — não pede, ocupa!

Um revolucionário de bigode e patilhas longas, camisa aos quadrados, berrava com convicção embebida em vinagre ideológico:

— Os lacaios do imperialismo saqueiam o planeta numa disputa cega.

Monotone empalideceu. Tentou sorrir, mas o suor revelou o embaraço de quem estava a ser colado, por pura má-fé, a um passado que não era o seu.

O vídeo saltou para uma cena recente: uma arruada. Alguém de fato escuro, com a gola do casaco a boiar bem acima do colarinho da camisa — o mesmo visual de Monotone naquele momento. O discurso desdobrava-se numa frase carregada de intenção e leve de sentido.

— Ãontem foi ãotem. Hoijze, nósz olhamosz… nósz olhamosz para cada criançza que nasze…

Nesse instante, o sistema de tradução automática — protótipo da Zylon Husk 3000™, calibrado com uma base de dados etimológica caótica e sotaque texano — entrou em ação:

Yesturday was the pastest. Today, we… we lookz at each baby that bornifies…

Drunke fixou o ecrã. Depois olhou para Monotone. A pausa foi curta — nem precisava de mais.

Recognize anyone? — perguntou. — So… is this your Minister of Philosophy?

Virou-se para JD Convex, que já abria a pasta com o memorando.

Give us Madeira — pediu, com a boquinha ensaiada de quem pede pouco e leva tudo. — And maybe the Azores. And those… how you say? Berlengas?

Monotone ainda tentou resgatar a compostura, explicando, com sotaque polido da Linha:

— Nós olhamos para cada cidadão com o compromisso de lhe proporcionar…

Drunke levantou a mão. A frase morreu. Tal como a soberania.

JD Convex pousou o “Memorando de Partilha Geoestratégica” à frente dele. Tanto quanto se sabe, Monotone anuiu. Uma caneta grossa terá confirmado.

Foi conduzido até à porta, com um sorriso amarelo e um saco de recuerdos: boné, autocolante e um folheto satírico, todos com frases sobre amizade, parcerias e maoismo gourmet.

À saída, Monotone deteve-se por um instante. Depois, baixou os olhos para o conteúdo do saco e murmurou, quase só para si:

— Não era isto que nós sonhámos.

Drunke compôs um sorriso postiço antes de declarar, sem pressa:

We’ll keep the islands safe.


Para que não digam que ninguém avisou: 🎵 Zeca Afonso — “Os Vampiros” (Vimeo)

 

01
Mai25

A Chamada dos Desalinhados

Uma comédia (quase) diplomática entre dois blocos que nunca foram alinhados

 

[Excerto exclusivo intercetado por meios altamente duvidosos.]

🎵
Num país onde o tino escapou pela fronteira,
Kid Tock dá o ritmo, agita a bandeira.
Com tarifas ao rubro, ego no refrão,
Ronald Drunke comanda feito pavão.
🎵

 

[O telefone toca. Do lado da Grande Amérika, ouve-se uma versão trap da Marcha Oficial, composta por Kid Tock.]

RONALD DRUNKE (voz de quem já misturou Red Bull, presunção e água benta):
Xixi! Como está o melhor comunista do mercado? Já mandei taxar a paciência, vai render milhões! Preparado para uma nova ordem mundial, em que eu decido tudo e o resto aplaude?

XIXI PING (voz tranquila, como quem medita rodeado de servidores Huawei):
Presidente Drunke. Os seus aliados ligaram. Parece que confundiu “festa surpresa” com “ataque nuclear económico”. Destruir o sistema económico ocidental… outra vez. É como ver alguém incendiar a própria casa para matar um mosquito.

DRUNKE:
Escusas de me agradecer, buddy. Finalmente alguém teve coragem de travar esta palhaçada do “comércio livre”. Acabaram-se as férias pagas para europeus e os brinquedos de plástico que explodem.

PING:
Interessante teoria. Vocês mandaram as fábricas embora e importaram dívida… Agora que o jogo corre mal, atiram o tabuleiro ao chão. Um clássico grande amerikano: perder e declarar vitória.

DRUNKE:
A questão aqui é soberania, buddy. Soberania e tarifas. Grandes tarifas. As maiores. Até o Kim Kaboom ligou a perguntar como é que se faz.

PING:
Estou certo de que os aliados estão encantados com a perspetiva de serem tratados como inimigos. Deve ser… revigorante, especialmente para os da NATO.

DRUNKE:
A NATO? É aquele clube europeu — eu finjo que pago quotas e eles fingem que treinam para guerras de faz-de-conta. Aliás, estou a pensar criar a minha própria aliança: The Enlightened States of Great Me.

PING:
Magnífico. Um clube ideal para jantares silenciosos.

DRUNKE:
Não preciso de jantar com ninguém. Tenho o Hylon Husk, que está a construir uma internet nova, uma moeda nova… e, se não me engano, um novo planeta para fugir aos impostos.

[Silêncio breve. O som de um ventilador lento. Ao fundo, a voz amplificada de Hylon Husk irrompe pela Sala Ovoide, num tom meio distraído, meio messiânico]:

"Se tudo correr bem, até ao fim do dia lançamos a Constelação Fiscal — 42 satélites que declaram IRS automaticamente e fazem elogios ao presidente em cinco línguas."

PING:
Pelo menos não lhe falta ambição. Só falta agora construir uma realidade alternativa… onde os seus planos resultem e ninguém lhe contradiga o horóscopo.

[A linha cai. Alegadamente, porque alguém ligou o micro-ondas na Sala Ovoide.]

 

Fontes próximas garantem que, após a chamada, Drunke lançou uma linha de T-shirts com o slogan"Fez-se História (again!)", agora disponível em tamanhos XXL e geoestratégico.

O vice J.D. Convex afirmou que “tudo corre segundo os planos, embora ainda não os tenha lido”.

Hylon Husk, visivelmente entusiasmado, surgiu ao fundo de uma live stream a testar um megafone quântico pessoal. Segundo testemunhas, o aparelho só transmite autoelogios, previsões financeiras falhadas e citações descontextualizadas de Nietzsche.

 

Telefone Vermelho.jpg

Prova histórica de que a diplomacia, no fundo, é uma reunião de condomínio com arsenal nuclear

 

09
Abr25

O Regresso das Criaturas Extintas

---1990711.jpg

 

 

 

Os cientistas acabam de anunciar um feito assombroso: recriaram animais com ADN do Canis dirus, o mítico lobo gigante extinto há 13 mil anos. Dizem que é para compreender melhor os ecossistemas do passado.

Poderemos ser levados a pensar que o passado se anuncie com uivos ou tambores — mas há regressos que chegam em silêncio, envoltos em inocência.
Um olhar húmido, o pelo branco, aparentemente inofensivo — e no entanto, ali está ele: o passado, reanimado.
O que parece dócil talvez não seja. O que parece novo talvez só tenha mudado de forma.

Se até os lobos extintos voltam à vida, o que dizer das ideias que nunca chegaram a morrer?
É neste ponto que os caminhos da ciência e da política se cruzam — cada uma com as suas intenções, ambas com os olhos postos no passado. Mas há frases que se aplicam a mais do que uma realidade. E esta, por exemplo, também serve para descrever a convulsão da presente política internacional — em que criaturas dadas como extintas parecem regressar com novos disfarces.

Só que nem todos os regressos do passado acontecem em laboratório. Alguns regressam convocados por algoritmos e por entusiasmos que se esqueceram do passado.

Trump já não é um monstro isolado. A paisagem está cheia de criaturas extintas a reaparecer com novas pelagens e velhas ambições. Musk, Milei, Orbán, Erdogan, Putin, Netanyahu, Khamenei — nomes que fazem lembrar personagens de uma distopia global ou deuses menores de um livro sagrado esquecido. Sem tocar no Extremo Oriente.

Os portões do zoológico abriram-se e as criaturas saíram — para governar com a força bruta da exceção.

As democracias encolheram. O saber tornou-se suspeito. A diversidade passou a ser tratada como desvio. E sob a pele da modernidade tecnológica, revela-se uma obsessão antiga: o território.
Putin invadiu a Ucrânia, Netanyahu arrasou a Palestina, Trump ameaça países como quem redesenha mapas ao sabor do delírio. A distopia moderna navega com GPS.
E os jornais já não informam — murmuram relatos de guerra, lidos entre cafés e silêncios.

O lobo gigante caçava em grupo; estas novas criaturas do poder são predadores solitários: obcecados pelo domínio, pelo isolamento e pela destruição de qualquer noção de coletividade que não lhes preste vassalagem.
São moldados não mais pelo ambiente — mas pelo algoritmo.

Todos, ainda assim, partilham um traço essencial: são o passado a invadir o presente com força que basta para moldar o futuro. A diferença? Uns regressaram pelas mãos da ciência. Os outros, pelas mãos da memória curta.

No meio desta distopia avant-garde, em que a ciência brinca aos deuses e a política ensaia o fascismo em direto, sobra-nos apenas o silêncio breve antes da pergunta inevitável.

A pergunta permanece, incómoda e humana:
queremos mesmo continuar por este caminho — ou teremos, enfim, coragem de abrir outro?

 

Foto extraída da notícia “Cientistas criam animais com ADN de lobo gigante extinto há 13 mil anos”, publicada no jornal Público a 8 de abril de 2025.

 

18
Fev25

A Qualidade do Tremoço

tremoços.jpg

Trump e Putin, como bons negociantes, vão regatear a repartição de territórios e decidir o futuro da Europa, sem dar cavaco a ninguém. Mas, bem vistas as coisas, enquanto a tempestade se formava, a Europa discutia a qualidade do tremoço.

 

 

A História ensina – por vezes, os alunos distraem-se. Há um padrão inquietante que atravessa os séculos: quando se avizinham tempestades, certas elites refugiam-se no pormenor, no tecnicismo ou no ritualismo político, como se a ordem do mundo pudesse sustentar-se em formalismos. Nos corredores do poder, afinam-se argumentos, polindo o detalhe como se fosse marfim; ao mesmo tempo, a História esculpe o futuro a golpes de machado.

No século V, Roma debatia hierarquias e privilégios enquanto os visigodos invadiam e pilhavam a cidade; a Constantinopla do século XV discutia – diz-se – com zelo intelectual bizantino o sexo dos anjos, enquanto os canhões otomanos abalavam os alicerces do império; em Versailles de final de Oitocentos, entre danças e reformas tímidas, poucos tinham oportunidade de ver a maré revolucionária a subir nas ruas de Paris.

Não é que estas discussões fossem irrelevantes. Eram sofisticadas, mas também um luxo que o tempo não permitia. É o erro do xadrezista que, orgulhoso da tática brilhante que lhe assegura um peão promovido, ignora que em dois lances sofrerá mate. Ou o defeito da construção modular, em que as partes se unem num todo sem alma. Ou ainda o azar do homem comum que, receoso de adoecer, foge da chuva apressado, sem reparar que a morte acelera ao dobrar da esquina.

Durante demasiado tempo, olhou-se para a tempestade como um risco longínquo, algo a ser gerido com paciência, notas de imprensa e sanções – talvez bem-intencionadas. Entretanto, as nuvens acumularam-se, o céu escureceu, o vento avisou e os trovões ribombaram. Não ao longe, mas sobre as nossas cabeças. O tempo do detalhe calculista já não se sustenta.

A civilização vive da ordem e do método; só sobrevive quando sabe preparar-se para as ruturas da História. O tempo do tremoço passou; o seu valor nutricional é inegável, mas já não basta. Agora, impõe-se erguer os olhos do prato e encarar a tempestade.

 

17
Mai24

A Verdade do Vinho - 3

Vinho3.jpg

Nos anos 50 do século passado, Nikita Kruschev, segundo relatos populares, inebriado após um lauto jantar, decidiu impulsivamente transferir a província da Crimeia para o domínio da República Socialista Soviética da Ucrânia.

 

Foi um presente, um gesto para reforçar a "grande e indissolúvel amizade" entre os dois principais povos soviéticos. Com a queda da URSS, a Crimeia permaneceu como parte da nova Ucrânia.

Por não entenderem a verdade do vinho – uma metáfora para a subtileza das relações históricas e culturais – os russos nunca conseguiram interiorizar a perda da Crimeia. Quando a “primavera” ucraniana eclodiu em 2014, esta incompreensão profunda logo forneceu a Putin o pretexto necessário para recuperar aquele território na costa norte do Mar Negro.

A “grande e indissolúvel amizade” mingou a ponto de se dissolver inevitavelmente. O que se seguiu é dramaticamente conhecido. O que continua a acontecer é catastrófico. 

Tiram-se daqui duas grandes lições. Primeira, o álcool que toldou Nikita não serve de justificação para as consequências duradouras da sua decisão. Segunda, as hipotecas da História nunca se cancelam.

 

 

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