Sobre a Necessidade de Reduzir a Inclusão
Orientações para manter ambientes corporativos previsíveis, neutros e emocionalmente contidos
De: Secção de Assuntos Empresariais e Liberdade™ – Embaixada em Lisboa
Para: Empresas portuguesas que andam a inovar mais do que deviam
Assunto: URGENTE – Demasiada inclusão. Não é bom.
Ó da casa!
Esperamos que esta mensagem vos encontre ainda dentro dos limites do razoável — longe de um workshop sobre comunicação não-violenta e, idealmente, com o Excel aberto, não os sentimentos.
Sabemos que andam entusiasmados com essa moda da diversidade, equidade e inclusão. Percebemos. É cativante. É colorido. É progressista, dizem. Mas há uma linha muito ténue entre inovar e desafiar a ordem natural das coisas.
Atenção: não confundam gestão de talento com casting para reality show. Há empresas portuguesas a recrutar como se estivessem a montar um painel da Web Summit em horário nobre. Isto está perigosamente perto de parecer mudança a sério. Daquela que mexe com estruturas. Daquela que faz pensar. Perigoso.
E nós, como bons amigos e investidores atentos, deixamos só estes lembretes:
Diversity is a distraction. Sameness sells.
Inclusion breeds confusion. Keep it classic.
Different doesn’t deliver. (Registo pendente. A nossa equipa jurídica está em cima do assunto.)
A política ideal de contratação continua clara:
One voice. One face. One LinkedIn photo.
De preferência branca, masculina, e com MBA de uma universidade com nome curto e americano.
Compreendemos que a tentação de parecerem atuais, empáticos e humanos seja forte – especialmente quando têm um Chief Empathy Officer a distribuir elogios inclusivos como quem oferece croissants vegan num retiro de mindfulness. Mas não confundam performance ética com performance financeira.
Camisolas com arco-íris? Apenas se forem discretas, monocromáticas e tiverem costura invisível.
Portanto, sugerimos – com o habitual respeito de quem vos poderia comprar e revender três vezes antes do almoço – que regressem ao modelo corporativo que verdadeiramente uniu o Ocidente: homens, blazers, reuniões longas e decisões com base em instinto, golf e aquele aperto de mão suado que fecha contratos desde 1954.
Com os melhores cumprimentos (e o sorriso firme de quem está a sorrir só com os dentes),
Mr. Smith
Adjunto para a Preservação dos Bons Costumes Corporativos™
Embaixada em Lisboa
Helping free markets stay free from empathy since forever.
P.S.: Isto, claro, é apenas uma sugestão. Livre arbítrio e tal. Mas olhem… Se o vosso próximo contrato internacional começar a exigir cláusulas de neutralidade ideológica no elevador social ou contenção emocional no espaço laboral, já sabem de onde sopra o vento – e quem o segura com um ventilador diplomático. Não digam que não avisámos.

Imagem cedida pelo Departamento de Conformidade do Sistema — extraída dos arquivos de Matrix, secção Gestão de RH Avançada. Cada colaborador cumpre integralmente os protocolos de neutralidade ideológica, diversidade visual calibrada e pensamento sincronizado. Qualquer desvio será tratado por um agente. Smile! You’re under control.
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