Síndrome do Braço Levantado

Observo que, hoje em dia, os jovens, sem excluir outros, parecem não conseguir deslocar-se sem levantar o braço direito. Quando caminham pelo passeio, atravessam passadeiras ou seguem nos transportes públicos, o braço aponta inevitavelmente para o infinito. Assumo que este fenómeno peculiar se designe por “síndrome do braço levantado”.
Será reminiscência de um regime autoritário? Não, pois não é o braço inteiro que ganha a posição horizontal, mas apenas o antebraço que se eleva. Gesto filosófico de Bordalo, pergunta-se? Também não, uma vez que o braço esquerdo não intervém e a mão pode mesmo permanecer no bolso.
Questiono-me sobre a sua origem patológica: será deficiência congénita ou doença adquirida? Sinto curiosidade em saber se os cientistas já estarão a trabalhar numa cura.
Um amigo médico esclareceu:
“É o apoio para o telemóvel, Deus meu!”
Assim, sem querer, ele rimou.
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