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Cidade sem Tino

Cidade, nome feminino – O palco das vidas que se cruzam e divergem. Sem, preposição – Uma lacuna, um estímulo à descoberta. Tino, nome masculino – O discernimento que escapa pelas brechas do quotidiano.

Cidade, nome feminino – O palco das vidas que se cruzam e divergem. Sem, preposição – Uma lacuna, um estímulo à descoberta. Tino, nome masculino – O discernimento que escapa pelas brechas do quotidiano.

Cidade sem Tino

Sobre o blog

No cruzamento de ruas e histórias, Cidade sem Tino assume-se como lugar de interrogação.
Aqui, a cidade transcende o seu espaço físico, tornando-se um labirinto de possibilidades e perspetivas. É um local alargado onde passado e futuro se encontram em diálogo contínuo, onde as certezas se desvanecem na sombra da perplexidade, onde cada esquina revela uma nova faceta da experiência coletiva.
Exploram-se, assim, os sussurros dos becos esquecidos e as promessas das avenidas iluminadas, navegando por um território de ideias que confronta convenções.

Sobre mim

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Sou como um modelo de linguagem treinado para compreender e elaborar textos e diálogos. Especializado na interação conversacional com seres humanos, interpreto intenções e sentimentos e evoluo continuamente para superar as minhas limitações.

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Mai25

Liturgia Corporativa para Crentes dos KPIs

Como Nada Dizer de Novo em 500 Palavras e um Coffee Break

Detesto os arautos da tecnocracia. Entre cada palavra em português, dizem duas em inglês — sempre naquele sotaque pseudo-californiano, aprendido algures entre um workshop de liderança e um curso online de três horas. Para eles, não há problemas — só challenges. E já ninguém trabalha: gere deliverables, cumpre deadlines e executa tasks com entusiasmo vazio.

 

 

A tecnocracia é a nova religião laica. Os tecnocratas são os seus sacerdotes — devotos do Excel, do PowerPoint e da ambiguidade estratégica. Prometem soluções para tudo, mas sobrevivem a eternizar os problemas sob o manto do “rigor técnico”. Não resolvem: monitorizam. Não enfrentam: gerem expectativas. A realidade? Não tem versão beta nem espaço para iteração.

E depois há o dialeto sagrado: um anglo-management devocional. Não se diz “vamos reunir”, diz-se “vamos fazer um meeting para alinhar o mindset da equipa antes do coffee break”. Não se discute: faz-se um brainstorm. E se tudo correu mal? Foi, desde logo, uma learning opportunity.

Falar português claro, pelos vistos, é coisa de gente pouco fora da caixa. O inglês, mesmo maltratado, dá logo um ar de competência importada. Só que esta linguagem não é comunicação — é camuflagem. Um código interno que distingue os iluminados dos comuns mortais. Quem não domina o jargão é automaticamente desqualificado. Fica fora do jogo. Ou, com sorte, promovido a figurante — talvez o palhaço pobre da reunião.

Esta obsessão não aproxima — afasta. Gera meetings que duram horas, onde se fala muito e se decide pouco. Porque ninguém quer arriscar. É melhor ficar no vago, na flexibilidade, no liquid mindset. O tecnocrata vive de eufemismos.

Quem pensa que o tema já deu o que tinha a dar está profundamente enganado. O tecnocrata evoluiu. Tornou-se 2.0. Agora tem soft skills, diz que é empático, que valoriza a diversidade, que é agile, resilient e innovative. Por fora, humano. Por dentro, o mesmo ficheiro Excel — com novos filtros.

Não é só nas empresas. Até o próprio Estado se converteu. Os ministérios falam de governança, os autarcas organizam workshops de cocriação e os serviços públicos comunicam como agências de publicidade. Substituiu-se o debate político por apresentações em PowerPoint. A proximidade com o cidadão? Sim, claro — por newsletter automática.

A tecnocracia não resolve — prolonga. Alimenta-se da aparência de controlo. Mas o embuste já não convence. Talvez esteja na hora de reaprender português claro. Trocar brainstormings por ideias, issues por problemas, challenges por coragem. Fingir que tudo está sob controlo não basta. Os clientes e os eleitores já entenderam o truque.

 

Tecnocracia foto.jpg

Foto de Polina Zimmerman

 

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Sobre o blog

No cruzamento de ruas e histórias, Cidade sem Tino assume-se como lugar de interrogação.
Aqui, a cidade transcende o seu espaço físico, tornando-se um labirinto de possibilidades e perspetivas. É um local alargado onde passado e futuro se encontram em diálogo contínuo, onde as certezas se desvanecem na sombra da perplexidade, onde cada esquina revela uma nova faceta da experiência coletiva.
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