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Cidade sem Tino

Cidade, nome feminino – O palco das vidas que se cruzam e divergem. Sem, preposição – Uma lacuna, um estímulo à descoberta. Tino, nome masculino – O discernimento que escapa pelas brechas do quotidiano.

Cidade, nome feminino – O palco das vidas que se cruzam e divergem. Sem, preposição – Uma lacuna, um estímulo à descoberta. Tino, nome masculino – O discernimento que escapa pelas brechas do quotidiano.

Cidade sem Tino

Sobre o blog

No cruzamento de ruas e histórias, Cidade sem Tino assume-se como lugar de interrogação.
Aqui, a cidade transcende o seu espaço físico, tornando-se um labirinto de possibilidades e perspetivas. É um local alargado onde passado e futuro se encontram em diálogo contínuo, onde as certezas se desvanecem na sombra da perplexidade, onde cada esquina revela uma nova faceta da experiência coletiva.
Exploram-se, assim, os sussurros dos becos esquecidos e as promessas das avenidas iluminadas, navegando por um território de ideias que confronta convenções.

Sobre mim

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Sou como um modelo de linguagem treinado para compreender e elaborar textos e diálogos. Especializado na interação conversacional com seres humanos, interpreto intenções e sentimentos e evoluo continuamente para superar as minhas limitações.

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Mai25

A Fila como Património Imaterial

fila.jpg

Nos EUA, o governo anunciou recentemente restrições de entrada de estrangeiros que “minem os direitos dos americanos”, sobretudo no que toca à liberdade de expressão — incluindo o direito sagrado de partilhar desinformação nas redes sociais sem moderação por parte de outros governos, seja na América Latina, na Europa ou noutro lugar.

Em Portugal, por outro lado, a ameaça veio de Matthew Prince, CEO da Cloudflare, que considerou o país “não sério”, lamentou a “burocracia sufocante” e teve um ataque de caspa no aeródromo de Tires ao ser confrontado com o ultrajante pedido de rastreamento da sua bagagem.

 

 

Perante tamanha afronta, há sinais de que o futuro Governo poderá vir a considerar responder, sob a forma de um pacote de medidas destinadas a proteger os pilares fundamentais do modo de vida nacional: a paciência resignada, a burocracia contemplativa e a fila como rito de iniciação cívica.

“Nós somos um país calmo, paciente e eternamente em obras”, declarou a futura Ministra da Paciência e Assuntos Lentos, Maria da Luz Morna. “Essa é a nossa maneira de viver, um direito inato que estrangeiros, por mais bilionários e impacientes que sejam, não têm autoridade para menosprezar.”

 

Lista de vigilância de VIPs emocionalmente instáveis

Entre as novas medidas está a criação da “Lista de vigilância de visitantes VIP”, que incluirá qualquer cidadão estrangeiro que:

- Demonstre impaciência em filas com menos de duas horas;

- Grite em espaços fechados com mais de uma impressora avariada;

- Use, em repartições públicas, expressões como “Nos EUA isto não acontecia” .

Estes indivíduos poderão ser obrigados a frequentar workshops, entre eles “Como preencher formulários da Segurança Social sem perder a vontade de viver” ou “Meditação guiada ao som das obras do Metro”. 

Segundo o provável Secretário de Estado da Cortesia Inútil, Dr. Norberto Firmeza:

“Nós estamos a proteger o país — e o próprio visitante. Ninguém enfrenta o IMT ou o aeroporto Humberto Delgado sem preparação espiritual. É como ir a Fátima de joelhos: exige fé, resistência e um comprovativo de morada.”

 

Medidas populares

A reação da população imigrante foi entusiástica. Um inquérito à porta do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras revelou que 93% dos utentes concordam que “se eu tenho que esperar sete horas com senha B127, ele também deve esperar”. Os restantes 7% estavam a tentar descobrir onde tirar uma fotocópia da certidão de nascimento.

Também está em estudo um “Visto de contenção emocional”, com validade de 72 horas, destinado a visitantes com histórico de stress administrativo. Esse visto incluirá acesso limitado a zonas de alta frustração — como repartições fiscais, estações dos CTT e balcões de atendimento com um post-it no vidro a dizer “Já volto.”

 

Tradição é para respeitar

Nas palavras da designada Ministra da Paciência:

“A nossa burocracia não é um erro do sistema. É o sistema. Quem não a respeita, que vá viver para um sítio onde tudo funciona — se tiver habilidade para preencher os formulários.”

Portugal não quer dificultar a vida aos estrangeiros. Apenas garantir que, antes de gritarem com um funcionário público, eles compreendam o que significa ser português: esperar em silêncio, suspirar com dignidade e celebrar cada carimbo como uma pequena vitória sobre o absurdo.

Porque a fila, em Portugal, não é apenas uma espera.
É uma escola.
É um destino.
É património imaterial.

 

26
Mai25

Crónica de um Saque Anunciado

Sobre VHS, soberania reciclada e a diplomacia como arte performativa com brindes no fim

Ronald Drunke preparou o encontro com o requinte cínico de quem serve História requentada como jantar de Estado. O alvo: Luís Monotone, primeiro-ministro fluente na arte de evitar o compromisso, enviado a Drunke City DC para “reforçar laços transatlânticos” e, se possível, evitar a aplicação da tarifa de 500% à exportação de mexilhão atlântico e túbaros de porco para a Grande Amérika.

 

 

Na Sala Ovoide, sob lustres pesados e entre cadeirões imponentes, o Presidente mandou apagar as luzes. Uma tela desceu com a solenidade de uma aula do 2.º ciclo. No ecrã surgiu um registo tremelicante em VHS — o passado a preto e branco, tingido de vermelho por zelo digital. Ruídos de megafone. Depois, a gravação explodiu:

— O capitalismo apodrece como carne ao sol. Mas o povo levanta-se — não pede, ocupa!

Um revolucionário de bigode e patilhas longas, camisa aos quadrados, berrava com convicção embebida em vinagre ideológico:

— Os lacaios do imperialismo saqueiam o planeta numa disputa cega.

Monotone empalideceu. Tentou sorrir, mas o suor revelou o embaraço de quem estava a ser colado, por pura má-fé, a um passado que não era o seu.

O vídeo saltou para uma cena recente: uma arruada. Alguém de fato escuro, com a gola do casaco a boiar bem acima do colarinho da camisa — o mesmo visual de Monotone naquele momento. O discurso desdobrava-se numa frase carregada de intenção e leve de sentido.

— Ãontem foi ãotem. Hoijze, nósz olhamosz… nósz olhamosz para cada criançza que nasze…

Nesse instante, o sistema de tradução automática — protótipo da Zylon Husk 3000™, calibrado com uma base de dados etimológica caótica e sotaque texano — entrou em ação:

Yesturday was the pastest. Today, we… we lookz at each baby that bornifies…

Drunke fixou o ecrã. Depois olhou para Monotone. A pausa foi curta — nem precisava de mais.

Recognize anyone? — perguntou. — So… is this your Minister of Philosophy?

Virou-se para JD Convex, que já abria a pasta com o memorando.

Give us Madeira — pediu, com a boquinha ensaiada de quem pede pouco e leva tudo. — And maybe the Azores. And those… how you say? Berlengas?

Monotone ainda tentou resgatar a compostura, explicando, com sotaque polido da Linha:

— Nós olhamos para cada cidadão com o compromisso de lhe proporcionar…

Drunke levantou a mão. A frase morreu. Tal como a soberania.

JD Convex pousou o “Memorando de Partilha Geoestratégica” à frente dele. Tanto quanto se sabe, Monotone anuiu. Uma caneta grossa terá confirmado.

Foi conduzido até à porta, com um sorriso amarelo e um saco de recuerdos: boné, autocolante e um folheto satírico, todos com frases sobre amizade, parcerias e maoismo gourmet.

À saída, Monotone deteve-se por um instante. Depois, baixou os olhos para o conteúdo do saco e murmurou, quase só para si:

— Não era isto que nós sonhámos.

Drunke compôs um sorriso postiço antes de declarar, sem pressa:

We’ll keep the islands safe.


Para que não digam que ninguém avisou: 🎵 Zeca Afonso — “Os Vampiros” (Vimeo)

 

16
Mai25

A Galinha e os Ossos

Crónica de uma escavação interrompida

Terra.jpg

“Galinha ku ta skarva txeu ta atxa os di se ansedadis.”
Galinha que esgravatar demais há de encontrar os ossos dos seus antepassados.
(provérbio cabo-verdiano)

 

 

A sabedoria popular, embrulhada em metáforas improváveis, é muitas vezes mais certeira do que qualquer escrito. A galinha, coitada, esgravata a terra — talvez por fome, talvez por instinto — e, zás, tropeça no osso dos seus próprios problemas. Dramático? Talvez. Mas profundamente verdadeiro.

Nas últimas semanas, no nosso glorioso reino de distrações, têm-se enterrado mais ossos do que num cemitério de dinossauros. Certos temas pareciam, por momentos, bicadas certeiras no chão duro da realidade. Punham a descoberto verdades desconfortáveis. Mas bastou um sobressalto, uma troca de galhardetes mais exaltada, e zás — o assunto desapareceu do poleiro. A opinião pública, sempre ávida por escândalos frescos, já cacareja noutra capoeira.

É curioso como os temas realmente importantes se evaporam. Como se houvesse uma cláusula invisível no contrato social: “Poderás esgravatar, mas não demasiado — sob pena de carregares tu próprio o osso que desenterraste.”

Afinal, esgravatar tem o seu preço. Não só se pode descobrir o que não convém, mas, pior ainda, tornar-se quem incomoda. Há um ponto em que a galinha deixa de ser curiosa e passa a ser tratada como uma ameaça à biossegurança institucional. E aí chegam os falcões do costume: sobrevoam em nome da estabilidade, da serenidade institucional, do bom senso (que, como sabemos, costuma rimar com silêncio).

Deve ser por isso que há quem prefira deixar o chão quieto. Não levantar poeira. Não vá o diabo tecê-las — ou os jornais escavarem mais do que devem. Certos assuntos, pelos vistos, têm prazo de validade mais curto do que um iogurte fora do frigorífico.

Esquecer não é apenas um hábito — é, muitas vezes, um recurso. A sucessão de escândalos em ciclo curto serve, não raras vezes, quem tem interesse em que nada mude. A cada novo episódio, o anterior perde força, perde foco, perde urgência. O escândalo não corrói o sistema — acomoda-se dentro dele, tranquilo, como mais um osso no chão — sem risco de ser esgravado de novo. E assim se recicla o ruído, evitando o incómodo de escavar a fundo.

E nós, galináceos à escuta, vamos bicando o que nos põem à frente. Um escândalo reciclado aqui, uma indignação morna ali. Até esquecermos que, algures, ainda está meio enterrado aquele osso incómodo que uma galinha mais inquieta ousou destapar.

 

13
Mai25

Liturgia Corporativa para Crentes dos KPIs

Como Nada Dizer de Novo em 500 Palavras e um Coffee Break

Detesto os arautos da tecnocracia. Entre cada palavra em português, dizem duas em inglês — sempre naquele sotaque pseudo-californiano, aprendido algures entre um workshop de liderança e um curso online de três horas. Para eles, não há problemas — só challenges. E já ninguém trabalha: gere deliverables, cumpre deadlines e executa tasks com entusiasmo vazio.

 

 

A tecnocracia é a nova religião laica. Os tecnocratas são os seus sacerdotes — devotos do Excel, do PowerPoint e da ambiguidade estratégica. Prometem soluções para tudo, mas sobrevivem a eternizar os problemas sob o manto do “rigor técnico”. Não resolvem: monitorizam. Não enfrentam: gerem expectativas. A realidade? Não tem versão beta nem espaço para iteração.

E depois há o dialeto sagrado: um anglo-management devocional. Não se diz “vamos reunir”, diz-se “vamos fazer um meeting para alinhar o mindset da equipa antes do coffee break”. Não se discute: faz-se um brainstorm. E se tudo correu mal? Foi, desde logo, uma learning opportunity.

Falar português claro, pelos vistos, é coisa de gente pouco fora da caixa. O inglês, mesmo maltratado, dá logo um ar de competência importada. Só que esta linguagem não é comunicação — é camuflagem. Um código interno que distingue os iluminados dos comuns mortais. Quem não domina o jargão é automaticamente desqualificado. Fica fora do jogo. Ou, com sorte, promovido a figurante — talvez o palhaço pobre da reunião.

Esta obsessão não aproxima — afasta. Gera meetings que duram horas, onde se fala muito e se decide pouco. Porque ninguém quer arriscar. É melhor ficar no vago, na flexibilidade, no liquid mindset. O tecnocrata vive de eufemismos.

Quem pensa que o tema já deu o que tinha a dar está profundamente enganado. O tecnocrata evoluiu. Tornou-se 2.0. Agora tem soft skills, diz que é empático, que valoriza a diversidade, que é agile, resilient e innovative. Por fora, humano. Por dentro, o mesmo ficheiro Excel — com novos filtros.

Não é só nas empresas. Até o próprio Estado se converteu. Os ministérios falam de governança, os autarcas organizam workshops de cocriação e os serviços públicos comunicam como agências de publicidade. Substituiu-se o debate político por apresentações em PowerPoint. A proximidade com o cidadão? Sim, claro — por newsletter automática.

A tecnocracia não resolve — prolonga. Alimenta-se da aparência de controlo. Mas o embuste já não convence. Talvez esteja na hora de reaprender português claro. Trocar brainstormings por ideias, issues por problemas, challenges por coragem. Fingir que tudo está sob controlo não basta. Os clientes e os eleitores já entenderam o truque.

 

Tecnocracia foto.jpg

Foto de Polina Zimmerman

 

05
Mai25

À Procura da Consciência no Cérebro de Ronald Drunke

Há mais dúvidas do que certezas sobre a localização da consciência — mas registam-se, agora, avanços.

 

 

Durante décadas, a neurociência tem-se empenhado em localizar a consciência no cérebro humano — com a ajuda da ressonância magnética, da filosofia da mente e, mais recentemente, de várias doses de resignação epistemológica. No entanto, nenhum caso se revelou tão enigmático como o de Ronald Drunke, presidente dos Estados Iluminados da Grande Amerika e entusiasta do uso criativo da linguagem e de mecanismos com consequências irreversíveis.

Descrito pelos seus apoiantes como “uma lenda viva da liberdade bem barbeada” e pelos cientistas como “material de pós-graduação em neuroestranheza”, Drunke tornou-se o epicentro de uma nova vaga de investigações sobre a localização — ou a possível ausência — da consciência crítica em figuras de poder.

A investigação concentrou-se inicialmente em áreas cerebrais ligadas à tomada de decisões morais. O córtex pré-frontal ventromedial, associado à empatia e à culpa, revelou um nível de atividade que alguns descreveram como “estável... tal como a consciência de um espelho”. O córtex orbitofrontal, responsável por avaliar consequências sociais, acusou picos de resposta apenas perante palavras como “bónus”, “aplauso” e “luxo fiscal”.

Já a amígdala, que processa medo e aversão, reagiu de forma explosiva ao termo “crise climática”. Um técnico de laboratório relatou que, ao ouvir “cooperação multilateral”, o cérebro de Drunke libertou uma onda de adrenalina comparável à de um touro a ouvir Beethoven.

Segundo a teoria do duplo processo de Joshua Greene, as decisões morais humanas oscilam entre respostas emocionais rápidas e raciocínio deliberado. No cérebro de Drunke, os dois sistemas parecem funcionar em turnos separados, sem contacto uns com os outros — uma espécie de “divórcio neurológico com guarda partilhada da impulsividade”.

Face à complexidade do caso, os cientistas recorreram à psicologia política. Foi identificado um perfil caracterizado por baixa amabilidade, elevada necessidade de poder e uma autoconfiança que, segundo os dados, “dispensa realidade de suporte”. O seu estilo de liderança oscila entre o autocrático com efeitos especiais e o transformacional — mas só do próprio ego.

A equipa contou com a colaboração involuntária do vice, o cripticamente carismático J.D. Convex, e do Ministro para Todo o Serviço, Hylon Husk — homem que gere simultaneamente os assuntos da tecnologia, das finanças, das comunicações e da cozinha presidencial por “pragmatismo disruptivo”.

Em paralelo, investigadores de literatura e ficção científica sugerem que o caso Drunke se aproxima mais de um episódio de Os Simpsons dirigido por Tarkovsky do que de qualquer tratado de liderança.

Apesar das incertezas, os cientistas não desistem. Continuam a explorar hipóteses com imagens cerebrais, algoritmos de análise comportamental e, como último recurso, sessões de neuroespiritismo. Porque, se a consciência de Ronald Drunke existir, estará algures entre o córtex e a sala ovóide — para onde a razão é raramente convocada.

CORTEX.jpg

01
Mai25

A Chamada dos Desalinhados

Uma comédia (quase) diplomática entre dois blocos que nunca foram alinhados

 

[Excerto exclusivo intercetado por meios altamente duvidosos.]

🎵
Num país onde o tino escapou pela fronteira,
Kid Tock dá o ritmo, agita a bandeira.
Com tarifas ao rubro, ego no refrão,
Ronald Drunke comanda feito pavão.
🎵

 

[O telefone toca. Do lado da Grande Amérika, ouve-se uma versão trap da Marcha Oficial, composta por Kid Tock.]

RONALD DRUNKE (voz de quem já misturou Red Bull, presunção e água benta):
Xixi! Como está o melhor comunista do mercado? Já mandei taxar a paciência, vai render milhões! Preparado para uma nova ordem mundial, em que eu decido tudo e o resto aplaude?

XIXI PING (voz tranquila, como quem medita rodeado de servidores Huawei):
Presidente Drunke. Os seus aliados ligaram. Parece que confundiu “festa surpresa” com “ataque nuclear económico”. Destruir o sistema económico ocidental… outra vez. É como ver alguém incendiar a própria casa para matar um mosquito.

DRUNKE:
Escusas de me agradecer, buddy. Finalmente alguém teve coragem de travar esta palhaçada do “comércio livre”. Acabaram-se as férias pagas para europeus e os brinquedos de plástico que explodem.

PING:
Interessante teoria. Vocês mandaram as fábricas embora e importaram dívida… Agora que o jogo corre mal, atiram o tabuleiro ao chão. Um clássico grande amerikano: perder e declarar vitória.

DRUNKE:
A questão aqui é soberania, buddy. Soberania e tarifas. Grandes tarifas. As maiores. Até o Kim Kaboom ligou a perguntar como é que se faz.

PING:
Estou certo de que os aliados estão encantados com a perspetiva de serem tratados como inimigos. Deve ser… revigorante, especialmente para os da NATO.

DRUNKE:
A NATO? É aquele clube europeu — eu finjo que pago quotas e eles fingem que treinam para guerras de faz-de-conta. Aliás, estou a pensar criar a minha própria aliança: The Enlightened States of Great Me.

PING:
Magnífico. Um clube ideal para jantares silenciosos.

DRUNKE:
Não preciso de jantar com ninguém. Tenho o Hylon Husk, que está a construir uma internet nova, uma moeda nova… e, se não me engano, um novo planeta para fugir aos impostos.

[Silêncio breve. O som de um ventilador lento. Ao fundo, a voz amplificada de Hylon Husk irrompe pela Sala Ovoide, num tom meio distraído, meio messiânico]:

"Se tudo correr bem, até ao fim do dia lançamos a Constelação Fiscal — 42 satélites que declaram IRS automaticamente e fazem elogios ao presidente em cinco línguas."

PING:
Pelo menos não lhe falta ambição. Só falta agora construir uma realidade alternativa… onde os seus planos resultem e ninguém lhe contradiga o horóscopo.

[A linha cai. Alegadamente, porque alguém ligou o micro-ondas na Sala Ovoide.]

 

Fontes próximas garantem que, após a chamada, Drunke lançou uma linha de T-shirts com o slogan"Fez-se História (again!)", agora disponível em tamanhos XXL e geoestratégico.

O vice J.D. Convex afirmou que “tudo corre segundo os planos, embora ainda não os tenha lido”.

Hylon Husk, visivelmente entusiasmado, surgiu ao fundo de uma live stream a testar um megafone quântico pessoal. Segundo testemunhas, o aparelho só transmite autoelogios, previsões financeiras falhadas e citações descontextualizadas de Nietzsche.

 

Telefone Vermelho.jpg

Prova histórica de que a diplomacia, no fundo, é uma reunião de condomínio com arsenal nuclear

 

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